sexta-feira, 13 de maio de 2011

Abracei o mundo!




Hoje eu resolvi escrever. Pronto, sentei aqui, todo mundo saiu e eu tenho que escrever. Não vou dizer que não tenho escrito nada, pois ao menos um texto por semana eu tiro da minha cabeça. Mas a maioria deles eu não tenho coragem o suficiente para publicar. Hoje quando eu vi que lançaram a biografia do José Alencar pensei: “Pronto, guardo os textos e deixo para que os publiquem após a minha morte, vão ter o muito o que falar viu...”
Mas enfim, percebi que às vezes as pessoas passam por aqui, e que alguns gostam de ler o que escrevo, as loucuras, tristezas e felicidades que passam pela minha cabeça.
Então mais uma vez, como sempre, quero falar sobre o momento. Daqui dois dias completo 23 anos. Eu sei que parece jovem demais, e para todo mundo é apenas o início. Mas para mim já se vão alguns anos de batalhas árduas, perdas irreparáveis e conquistas arriscadas. Hoje, quando eu pensava no metro, me dei conta de que há mais de 5 anos não moro mais com meus pais e que há quase 5 anos eu já tinha parte da minha renda, há mais de 2 anos voltei do meu intercâmbio, moro em São Paulo há mais de 1 ano, trabalho com a tal carteira assinada há 1 ano. Sinceramente, do alto dos meus 23 aninhos, já se foi muita coisa.
Além disso, eu tenho aprendido tanta coisa que tenho me sentido bastante velha, não no sentido cansado da palavra, mas no sentido em que cada dia me sinto mais madura, sinto que ainda posso muito mais, e que o que fazia sentido antes já não faz.
Por incrível que pareça nesses últimos meses tenho me descoberto como uma daquelas pessoas viciadas em trabalho, não que eu trabalhe o dia todo, ou todo o final de semana, eu apenas gosto e quero mais. Todos os dias quando volto e sinto que uma palavra que falei em aula foi entendida ou que parte do objetivo da aula foi alcançado, volto toda sorridente cantando nas duas horas de trânsito que enfrento para voltar para casa. Eu penso nos meus alunos o tempo todo, eu sonho com eles, penso em como mudar, em como fazer diferente... Fico louca! Deixo de dar partes da aula para conversar, não me estresso tanto com as “conversas paralelas”, acabo entrando nelas! E quando me chamam para algum evento e quando realizam algo que aos meus olhos é uma obra fantástica, eu me emociono, como se eu cortasse cebola o tempo todo! Discuto política com eles, dou conselhos sobre namorados e namoradas, ajudo na matemática, e as vezes não faço o bastante, ou nem metade do bastante, e então volto nas 2 horas de trânsito bem triste... Vivo para isso. Ganho pouco, eu sei, mas cada dia eu amo mais...
E nas suas horas livres Joyce? É então que dou vazão a essa historiadora que mora em mim, assisto aulas como se assistisse televisão. As minhas aulas de quinta passam tão rápido quanto os minutos da soneca do celular. Hoje eu pulei como uma criança por que descobri que haverá uma matéria sobre rebeliões indígenas na Nova Espanha. Tenho descoberto artigos como quem descobre ouro, mas ainda não consigo realizar tão bem minha pesquisa, mas se que vai dar certo!
Mas como nem tudo são flores, passo 2 semanas do mês sem um centavo no bolso. Duas semanas sem coca-cola e sem chocolate, duas semanas sem cerveja. É difícil, mas isso eu agüento. O que não consigo suportar mesmo é essa carência. Sem convivência diária com amigos, sem familiares por perto, sem um companheiro. Ainda não encontrei solução para isso. Até andei me apaixonando por uma das melhores pessoas que já conheci, mas também um dos meus melhores amigos atualmente. E não dá para morrer de amores por aquela pessoa que sempre está por perto né? Afinal, para variar, não há sincronia com ele também. Cheguei à conclusão de que minhas paixões sofrem de diacronia crônica...
Apenas mais uma conclusão que cheguei, cansei desse lirismo mal sucedido! Não quero estar sozinha, quero sim alguém ao meu lado, mas alguém que me ame e muito. Por que eu já amo sozinha o mundo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Silêncio





Está chovendo, de novo. E eu aqui parada olhando pela janela um prédio antigo, talvez se eu soubesse mais de arquitetura entenderia melhor os traços do prédio...



Sexta-feira passada, no trabalho, tivemos uma formação sobre comunicação, e além de aprender como ela deveria ser feita com nossos alunos, eu me dei conta de como ela não é feita no mundo, as pessoas não se comunicam nunca! Lendo um texto de Rubem Alves me deparei com a realidade de que as pessoas nunca vivem no silêncio necessário para que possam ouvir outras idéias, ou mesmo aquelas palavras que lhe são ditas, com pressa ou desespero. Não há mais silêncio, e tudo que precisamos muitas vezes é silêncio, para pensar, trabalhar, ou ser ouvido. Como um pianista que precisa de um momento de silêncio para que possa se concentrar no que fará nos próximos minutos.

Vivemos na era da comunicação e ao mesmo tempo nos falta comunicação. Talvez seja por isso que existam tantos blogs como o meu, é quase uma súplica das pessoas que escrevem que alguém nos ouça em silêncio, que possa ouvir somente essas palavras e respeitar os segundos de silêncio posteriores para entender as palavras, as idéias, os porquês.

Tenho praticado o silêncio nas terças e nas quintas, são mais de 12 horas sem comunicação, sem qualquer bom dia, sem trabalho... E acho que talvez isso me enlouqueça, é tempo demais para lidar com minhas próprias idéias, comigo mesma, com meus sonhos e frustrações depois de ter vindo parar na Babilônia.

Sozinha, em silêncio, é só o necessário para repensar, perceber que não há nada de errado, que tudo tem sido exatamente como planejado, como o sonhado.
O problema é que é impossível planejar tudo, e quando algo sai do caminho... Vem um vento rápido e te leva direto para o que realmente queria, e só não sabia até então por que não ficou em silêncio com sua consciência, questionando-a sobre suas reais vontades... E aí o sol saí, o prédio antigo fica novo, e nada mais é cinza...




segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ciúmes





Tenho muitos romances passados e perdidos no tempo. Mas eu nunca os esqueço. Na verdade a maioria deles continuam numa vivacidade elétrica dentro de mim, que se renova com meus sonhos ou no meu ciúme.

A maior parte desses pequenos romances/encantamentos passageiros vieram na "época" da faculdade. Ou seja, estão realmente perdidos no tempo e principalmente no espaço. Alguns tão longe na estrada, ou no mar, ou na memória. Mas o fato é que não os esqueço. Nem um só momento, aqueles nos quais soltei todo o meu lirismo, todo meu corpo e meu fôlego.
Mas como esquecer essas pessoas que me fizeram tão bem por um tempo?
Prefiro dizer que sempre serão boas recordações. Eu jamais poderia me desvencilhar das minhas lembranças. Vivo com elas.

Eu gostaria que minhas lembranças fossem apenas isso por elas mesmas, mas na verdade elas também estão embutidas no corpo daquelas pessoas com as quais estive. E quando vejo outro corpo junto ao deles, ou outras palavras que se assemelham às minhas... Ai, não há como não sentir a perda, não sentir uma pontinha de ciúme. Justo eu que sempre fui contra esse tipo de prisão ideológica... Apenas não gosto de imaginar, de ver.

Aquele meu último romance preferi apagar do papel, mas ainda não o apaguei da memória. Fazer o que se todas as segunda e quartas ando por aquela Marginal Pinheiros olhando os prédios próximos. Fazer o que se sonhei justo com aquele momento em que ele abriu a janela pra ficar olhando meu rosto. E dele eu não posso ter ciúme, seria absurdo, complicado, e imensamente sem sentido.

Mas vou seguindo com o ciúme dos outros. Desejando, de verdade, que tudo de melhor aconteça com os mesmos, mas que não interfiram nas minhas lembranças...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Gente Grande

Faz tempo que não escrevo aqui. Mas o meu caderninho está cheio de textos e poemas bem bestas sobre as visões de mundo da Joyce.
Enfim, essa semana tive uma constatação que resolvi compartilhar: Entrei pro mundo dos adultos, sou gente grande agora.

Sempre que imaginamos nossa vida adulta quando crianças, pensamos que se trata de casamento e filhos. Mas não, é trabalho e responsabilidade!
Essa semana eu simplesmente disse um não, com bastante ênfase, para os jogos universitários da minha antiga faculdade. Aí que eu percebi que realmente algo de muito estranho aconteceu comigo esse ano... Refleti sobre as razões desse não, o dinheiro eu tenho, o feriado também, quase todos os meus amigos vão. Então por que eu não iria?
A verdade é que imaginei o meu feriado lá naquela loucura, e imaginei o meu feriado estudando, preparando minhas aulas e inclusive indo trabalhar na segunda-feira. Deparei-me com o inusitado, eu prefiro estudar, trabalhar e ficar no aconchego do meu lar, sozinha com meus filmes, e quiçá com uma visita materna.

Acho mesmo que virei gente grande, eu só não esperava que iria me tornar uma mulher assim. Imaginei que como todo mundo iria odiar meu trabalho, iria odiar ler todos os textos do mestrado, e não gostar de beber uma cerveja vendo televisão antes de dormir.
Mas querem saber? Eu estou adorando tudo isso. Finalmente voltei a fazer o que mais gosto no mundo: dar aulas! E melhor, numa ONG com um projeto pedagógico realmente bom. Durmo na minha própria cama, no apartamento que eu pago aluguel... Pago todas as minhas contas (em dia! embora o salário seja pequeno). E ainda posso me dar ao luxo de ir numa quarta-feira com minhas amigas no rodizio japonês e ter brahma na geladeira pra quando eu quiser.

Sabem, saber que acordo cedo todos os dias com um propósito, imaginar que eu posso fazer qualquer coisa no mundo, como morar um tempo no México no ano que vem, faz com que eu sinta as asas crescendo nas minhas costas.

Nunca imaginei que o mundo dos adultos poderia realmente ser bom e me agradar. Acho mesmo que virei gente grande...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pára o mundo que eu quero descer





Bem que minha mãe falava pra eu não fazer a tal faculdade de história, mas eu “temei” em fazer exatamente aquilo que me fascinava. Vai ver eu não penso no futuro a longo prazo, só no futuro próximo, é isso, eu só pensei no quanto seria bom aqueles próximos 4 anos fazendo o que eu mais gosto, estudar história.
Mas não adianta lutar contra o sistema, bem que eu queria ter forças suficientes para isso, mas depois de formada, agora me vejo totalmente englobada pela falta de dinheiro que assola a humanidade.
Vim parar nessa Babilônia descompassada em busca de outro sonho, mas como sempre vivi meio fora do sistema não pensei muito em como eu faria para comer e morar. Enfim, consegui um emprego, muito bacana por sinal, mas claro, eu continuo de fora, fora do idealismo corrente da classe média, fora dos padrões inteligíveis de maneira geral, e só pra piorar um pouquinho: eu sou formada em história, o que não me habilita pra quase nenhuma função do mundo, e ser professora nessa cidade é difícil. Resultado: fui demitida. DISPENSADA, imagina só essa palavra linda na sua carteira de trabalho! E pior, eu não fui DISPENSADA pela minha falta de capacidade, mas por que sou formada em história, e isso não me habilita mais a exercer a mesma função de acordo com uma nova merda de portaria da prefeitura.
Depois de meses acordando mal humorada, passando frio perto de uma represa, engolindo todos os sapos que eu podia, comendo pouco para que as pessoas parem de comentar o quanto eu como muito (e as refeições quem fornece é o lugar onde trabalho, embora isso seja totalmente ilegal, já que são usadas verbas públicas que não são descritas como gastas dessa forma), além de ficar até mais tarde no trabalho, tentar agradar todo mundo, fazer amizade, esconder meus mil e um defeitos... Depois de tudo isso, e ainda ganhando mal, DISPENSADA.
Pra piorar existe o tal do aviso prévio, se eu pudesse eu mandava logo (essa pessoa que eu realmente quero mandar) ir cagar! Pronto! Mas não, ainda estou no 3º dia do aviso prévio, só cumpri 10% e já não agüento mais!
Imagina você ter que ir trabalhar todos os dias sabendo que já foi demitida, QUE BOM, se alguém queria motivação agora não está faltando viu.
Ah, quase ia me esquecendo, o salário desse mês está atrasado, e eu tenho que pagar conta de luz, condomínio, aluguel, e às vezes comer é bom também. Eu cansei! Para tudo! Ainda tive que escutar hoje que caso eu me atrase outra vez vai ser descontado do meu salário, meu Deus! Nem ficar depressiva na cama eu posso! Eu não posso nem chorar e me descabelar nesse lugar, por que a última vez que tentei tive que fazer isso dentro do banheiro e 5 minutos já tinha alguém me procurando.
E ainda tem o meu mestrado, preciso mandar uma série de documentos para a FAPESP, os quais eu nem comecei a organizar ainda, sem contar que falta uma série de retoques no meu projeto, tudo isso pra começar a receber pelo que realmente gosto de fazer em março do próximo ano.
Eu também quero dispensar, quero dispensar o mundo, dispensar as cobranças, não só as que envolvem dinheiro, mas aquelas: você tem que se destacar no mestrado, ter um bom trabalho, comprar um carro, manter um relacionamento estável, ser magra, ser a melhor amiga que escuta todos os problemas, a melhor filha que escuta todos os problemas, a melhor companheira que escuta todos os problemas, e ainda andar todos os dias bem arrumada, cheirosa e com o cabelo bonito! CHEGA! PÁRA TUDO! Pára esse mundo, pelo amor de Deus, eu quero descer...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ingenuidade

Hoje me disseram que eu sou ingênua. Fiquei pensando se esse é realmente o caso.
Acho que primeiro tenho que explicar aqui que além de ser “historiadora” trata-se de uma profissão acadêmica não remunerada, essa que necessita que tenhamos algum outro auxílio técnico para que possamos nos manter na profissão. Pois bem, mesmo estando no mestrado da melhor universidade do país eu não tenho bolsa para isso, assim necessitei de um emprego e acabei vindo trabalhar num Instituto Social, mas especificamente num NPPE, os locais para onde os jovens que adolescentes que tem que cumprir medida socioeducativa são encaminhados.
Assim meu trabalho é meio de assistente social, com psicóloga misturado com pedagoga. Mas o detalhe é que eu não tenho formação pra esse tipo de trabalho... Solução da história toda, venho trabalhando com meu coração. Eu realmente me interesse pela vida desses meninos, quero conhecê-los e ajudá-los no que eu puder, ir até onde eu alcanço. Claro que eu já estou ficando meio doida da cabeça lidando com tantos problemas e com tantas família que vivem abaixo de qualquer coisa que possamos chamar de sociedade, a verdade que descobri é que vivemos na barbárie, só a classe média ainda não percebeu enjaulada nos seus apartamentos.
Desta forma, minha maneira de trabalhar acaba sendo tachada como ingênua. Tudo bem, sou realmente jovem, tenho cara de menina boba, eu sempre soube disse, meus colegas de faculdade nunca me deixaram esquecer os porquês eu acabava por não fazer parte da turminha deles... Mas a realidade é que não acredito que tenho agido com ingenuidade, eu tenho trabalhado com o meu coração. Eu sei quando um desses meninos mente, quando eles estão chapados, ou quando querem apenas me sensibilizar. Mas a verdade é que eles não precisam de palavras pra isso, a própria situação já me sensibiliza, a forma como eles são tratados pelo mundo acaba comigo.
Não é ingenuidade, é só a percepção de que o problema está muito mais embaixo, que o problema não é o “moleque preguiçoso” que não quer trabalhar e vai parar na “vida bandida”, o problema não é o pai que bebe, a mãe que é relapsa ou a falta de uma “bela surra”. O problema é essa barbárie meus caros. Hoje ouvi também que me sobra teoria, realmente. Mas eis um dos problemas dos nossos problemas, falta teoria! Falta aos estudiosos tentarem compreender um pouco mais da dinâmica do nosso sistema hoje, da nossa não civilização, mas sim da nossa barbárie. Falta todo mundo parar de culpar os infratores ou os policiais ou os políticos corruptos. Eu já disse o buraco está muito mais embaixo.

Agora se sou ingênua com relação a esses meninos, eu pretendo continuar, já que eu não posso mudar toda essa dinâmica desse mundo, eu posso ao menos trabalhar com o meu coração e com meu afeto, com a minha ajuda, com as palavras. E eu vou levar comigo o único ponto do qual eu me orgulho de não ser tão ingênua, a certeza de que mesmo que eu consiga com que todos os jovens que oriento deixem a “vida bandida” e se tornem serviçais da nossa barbárie nada terá mudado, o ciclo continuará o mesmo, sempre e sempre... Mas tudo bem, esse é meu trabalho afinal de contas, como o trabalho de quase todo mundo no planeta, eu trabalho para manter o sistema!



segunda-feira, 12 de julho de 2010

As novas novidades

Faz um tempo que não posto nada, mas isso não significa que não ando escrevendo, pelo contrário, meus cadernos e agenda andam cheios de textos, versos e etc, mas nada que realmente mereça estar aqui, ou então são coisas que eu prefiro esconder. Mas hoje eu estou sentindo falta de compartilhar algumas coisas, esse turbilhão de novidades que tem passado pela minha vida.
Pra começar eu sou uma caipira na capital, e cada dia algo novo me mete medo. Mas tudo bem, força nunca me faltou mesmo, então encaro tudo de peito aberto e vou em frente.
Depois de todos os perrengues pelos quais passei comecei a trabalhar, o lugar é legal, as pessoas são legais e o trabalho é difícil, mas eu gosto. Comecei a gostar da rotina, do salário e da vida adulta.
E aí eu passei no tal mestrado e continuo seguindo com os sonhos que planejei pra mim. Pra melhorar um pouco eu e uma amiga conseguimos alugar um apartamento exatamente no lugar que queríamos, perfeito. Hoje depois do trabalha vou comprar minha cama, uma grande, vou ficar meio apertada mas é exatamente como eu quero.

Agora os questionamentos: Como é que eu posso estar em crise se tudo que eu sonhei está dando certo? Se nada até agora deu errado?
Esse é o problema, “quando a esmola é demais o santo desconfia”.
Como o Instituto social pra qual eu trabalho recebe verba pública, ele também tem que obedecer às normas para os serviços que realizamos, e agora saiu uma nova portaria com novas dessas normas e regras que temos que seguir. (Estou tão cansada das normas!)
E uma delas é que só pessoas formadas em alguns cursos podem realizar o trabalho que eu faço, e história não é um desses cursos, pra variar né, quem fez história quase não tem opção de trabalho.
E aí vem o meu medo de cair o barraco. O aluguel do lugar que eu vou morar é caro, se eu for despedida eu não tenho como pagar. Vou pedir bolsa de mestrado, mas se o meu projeto for aceito ela só começa a vir em novembro.

Além da questão do dinheiro me importar, eu me importo com o meu trabalho, eu já até fiquei pensando no quão difícil será largar esse lugar quando chegar uma bolsa, e hoje eu ouvi que só estou aqui pelo dinheiro. E não é bem assim.

Bom, aconteça o que acontecer vai ser só mais uma coisa na minha vida que foi difícil. Tudo sempre é difícil, e eu nunca vou viver sem preocupação no âmbito financeiro, foi a vida que escolhi pra mim, agora agüenta.